Qual é a tua B ? És A-A ? Ou A-C-C ?


Um delegado que passe por um grupo de intérpretes antes de uma reunião multilingue e ouça este tipo de conversa pode ficar com algumas dúvidas…

Não, eles não estão a estudar o alfabeto antes do início da sessão, mas estão-se provavelmente a apresentar uns aos outros e a descobrir as respectivas combinações linguísticas.

De facto, os idiomas que um intérprete fala ou percebe não estão todos ao mesmo nível... Vamos olhar para o caso de um intérprete português que domina muito bem a língua francesa, tendo vivido vários anos num país francófono e que também percebe muito bem o inglês, espanhol e alemão.

Um intérprete português tem em geral o português como língua materna e esta é por isso a sua língua A. Isto significa também que ele é capaz de interpretar de todas as suas línguas para o português. Tirando raras excepções, um intérprete tem somente uma língua A.

Tendo vivido durante um período bastante longo num país francófono, este intérprete tem um domínio da língua francesa suficientemente bom para se sentir à vontade ao trabalhar do português para o francês e pode então considerar o francês como a sua língua B. É importante saber também que mesmo que considere o francês como a sua língua B, este somente vai interpretar em francês quando se tratar de um discurso em português, sendo esta a sua língua materna e sabendo que exige um esforço de compreensão mínimo que vai disponibilizar mais recursos intelectuais para a elaboração de um discurso de qualidade na língua B.

O nosso intérprete percebe também o alemão, o espanhol e o inglês mas não está suficientemente à vontade para interpretar nestas línguas. Estas serão por isso consideradas como línguas C.

Este intérprete será por isso um A-B-C-C-C, tendo o português como língua A, o francês como língua B e o alemão, inglês e espanhol como línguas C.

As suas combinações serão por isso : francês-português, português-francês, alemão-português, inglês-português e espanhol-português.